A passagem de um
nível a outro origina-se da tomada de consciência pelo aluno da insuficiência
das hipóteses até então por ele formuladas para explicar a leitura e a escrita.
Não se dá porque foi atingindo certo patamar de conhecimentos, mas porque se
esbarrou num obstáculo, é a consciência de uma incompetência, a de que foram
feitas hipóteses insuficientes às quais não explica a realidade. Essas
hipóteses se chocam com a explicação da realidade dada pelo outro.
Primeiramente é necessário preparar uma
atividade (teste) para que seja possível esta análise, essa atividade se chama:
“Diagnóstico e/ou Sondagem”, o qual deve ser
feito durante todo o ano letivo, não apenas no inicio do ano, existe uma grande
lacuna nesse sentido, porque os professores sabem que para esse diagnóstico
acontecer é necessário fazer ditado, e ditado em sala de aula é considerado uma
prática tradicional. É nesse ponto que encontramos um sério problema,
visto que não é o uso do instrumento e sim o mau uso que o torna obsoleto, ou
seja, o erro é trabalhar com um ditado em sala de aula de forma
descontextualizada, com muitas palavras, expor os erros dos alunos de forma
inaceitável, tornando então o ditado um vilão.
O ditado pode ser
trabalhado em sala de aula de uma maneira divertida e educativa, e ser um
aliado do professor no que diz respeito à avaliação dos alunos. Este
instrumento é um subsídio para o professor alfabetizador acompanhar a evolução
de seus alunos. Pode ser feito uma planilha com os resultados e/ou um gráfico
de níveis conceituais de escrita, e posteriormente mostrar aos pais.
É importante
trabalhar com palavras que estejam relacionadas com a realidade do aluno e
principalmente com o tema que o professor está ensinado em sala de aula,
palavras de um mesmo grupo semântico, e lógico, vai depender da criatividade e
dinâmica com a qual o professor faz uso no dia a dia.
A importância do
diagnóstico é auxiliar o trabalho do professor a contemplar todos os níveis em
sala de aula. Para isso, o instrumento chamado: “Teste de Níveis” deve ser
aplicado no inicio das aulas, depois quinzenalmente, mensalmente,
bimestralmente, ou seja, o professor irá verificar a necessidade da turma e
aplicará sempre que considerar necessário.
Para que uma
sondagem/diagnóstico de qualidade ocorra, é mais do que necessário a
compreensão e entendimento por parte do professor no que diz respeito o conceito
e características dos níveis de construção de escrita.
O teste de nível é
um ótimo instrumento de sondagem, mas existem outras maneiras para que o
professor alfabetizador identifique o nível de escrita dos seus alunos, através
de cartões com diversas escritas, tais como: logomarcas, nomes de bancos,
postos de gasolina, dos correios, linhas de ônibus, etc., nomes ou marcas de
produtos muito utilizados, nomes da cidade, dos bairros ou ruas, placas. Com
estas atividades o alfabetizador irá perguntar a cada alfabetizando quais
destas palavras podem apontar dizendo o que está escrito. As respostas devem
ser registradas pelo professor. Em seguida, vale propor uma atividade de
escrita e de leitura na qual o alfabetizando “escreva sozinho”, ou seja,
escreva espontaneamente, sem ter de onde copiar a escrita do que está sendo
solicitado.
Carla Melo

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