Nesse post
vou explicar sobre as fases e as características no processo de aquisição da
escrita de acordo com os estudos de Emília Ferreiro e Ana Teberosky, através do
livro “Psicogênese da Língua Escrita”.
O livro: “Psicogênese da Língua Escrita”, de Emília Ferreiro e Ana Teberosky não
se trata de um método de ensino. O estudo das autoras é uma abordagem psicológica
de como a criança se apropria da língua escrita. Também se costuma falar em níveis
cognitivos, pois a palavra cognição diz respeito à aquisição de
conhecimento.
Na
alfabetização o que se quer conhecer é a língua escrita e as aproximações são
as tentativas de ler e escrever. É preciso ter em mente a necessidade da
superação dessas tentativas para compreender a importância do significado da
identificação dos níveis de construção da escrita e suas respectivas formas de
intervenção, ou seja, do modo como o alfabetizador desafia o alfabetizando para
que ele avance em suas hipóteses sobre a língua escrita. Para Ferreiro, (1999,
p. 31):
A concepção de aprendizagem (entendida como um processo de obtenção do conhecimento) inerente à psicologia genética supõe, necessariamente, que existam processos de aprendizagem do sujeito que não dependem dos métodos (processos que, poderíamos dizer, passam “através” dos métodos). O método (enquanto ação específica do meio) pode ajudar ou frear, facilitar ou dificultar, porém, não pode criar aprendizagem. A obtenção do conhecimento é um resultado da própria atividade do sujeito.
Os
níveis de construção da escrita correspondem à forma de expressão da hipótese
que o alfabetizando tem sobre o funcionamento da escrita. De acordo com Emília
Ferreiro, o aprendizado do sistema de escrita não se reduziria ao domínio de
correspondências grafo-fonêmicas (decodificação e a codificação), mas se caracterizaria
como um processo ativo no qual a criança, desde seus primeiros contatos com a
escrita, constrói e reconstrói hipóteses sobre a sua natureza e o seu
funcionamento. Os pressupostos dessa abordagem psicológica são:
- O aprendizado do sistema de escrita alfabética não se reduz a um processo de associação entre grafemas (letras) e fonemas (sons).
- O sistema de escrita alfabética não é um código que se aprende por memorização e fixação, pelo contrário, é um objeto de conhecimento que foi construído socialmente
Através
dessa abordagem psicológica, veremos os níveis de construção de escrita:
Nível
Pré-Silábico: este nível caracteriza-se por uma das etapas onde mais há
transformações, no sentido de existir mais características. Logo no começo
deste nível, a criança escreve somente por meio de garatujas, passando depois
para uma escrita com desenhos e números, até chegar ao Realismo Nominal,
caracterizado por uma etapa onde a criança representa o objeto, animal, pessoa
entre outros, de acordo com o tamanho, por exemplo, se o objeto for grande,
será representado por muitas letras, se for pequeno será representado por
poucas letras, mas nessa etapa, a criança faz uso apenas das letras, a última característica
deste nível, é a representação de toda e qualquer palavra com muitas e variadas
letras.
Nível
Silábico: é nesse nível que a criança compreende que as diferenças das
representações escritas se relacionam com diferenças sonoras das palavras.
Também existe a tentativa de corresponder grafia e sílaba sonora, o que não
exclui problemas derivados da exigência da quantidade mínima de letras. É o
momento em que a criança faz a correspondência da escrita com a fala, à fase
mais importante da alfabetização.
A
criança descobre que as partes da escrita (suas letras) podem corresponder a
outras tantas partes da palavra escrita (suas sílabas). A princípio, ela
formula a hipótese de que cada letra ou sinal “vale” por uma sílaba. As grafias
são diferenciadas sem que as letras tenham seu valor convencional. Existe duas
características marcantes, a primeira é a etapa do silábico sem valor sonoro,
as letras empregadas não pertencem à palavra escrita convencionalmente, o
aluno, por exemplo, escreve as seguintes letras: “TED” para representar a
palavra “cavalo”. A segunda característica é a etapa do silábico com valor
sonoro, as letras empregadas pertencem à palavra escrita convencionalmente,
classificam-se em: valor sonoro só com consoantes, por exemplo, o aluno escreve
“BT”, para representar a palavra “bota”, ou então, o valor sonoro só com
vogais, por exemplo, o aluno escreve “OA” para representar a palavra “bota”.
Nível
Silábico-Alfabético: nesse estágio de desenvolvimento da escrita, coexistem as
formas de fazer corresponder os sons às formas: silábica e alfabética, o que
induz a uma escolha de letras de forma ortográfica ou fonética. Algumas
características desse nível são: escrita algumas vezes com sílabas completas e
outras incompletas, escreve faltando letras, alterna escrita: silábica com
alfabética, escreve como fala e como ouve. Ex: CSA (casa) – TOMT (tomate) –
BUNCA (boneca)
Nível
Alfabético: a criança começa a perceber que a palavra está relacionada com os
aspectos sonoros da fala. Separa oralmente as sílabas das palavras e
corresponde uma letra a cada som emitido, ou seja, cada parte corresponde a uma
sílaba. Escreve além do alfabético, mas ainda não domina as normas ortográficas
da língua. Ex: POFESSORA (professora) – KAMELU (camelo).
No
processo de construção da aprendizagem da língua escrita, do ponto de vista da
Teoria da Psicogênese, deve considerar que:
1. As
hipóteses conceituais provisórias que as crianças fazem sobre a escrita não são
“erradas”, “falta de conhecimento” ou até mesmo patológica. Devem ser
consideradas como “erros construtivos”, já que é um processo de atividade
constante em que a criança está elaborando hipóteses e alargando seu campo de
conhecimento linguístico.
2. O
reconhecimento das hipóteses de escrita não deve se transformar em um recurso
para categorizar as crianças, mas sim estar a serviço de um planejamento de
atividades que considere as suas representações e atenda suas necessidades de
aprendizagem.
3. A
questão dos diferentes níveis, nas salas de aula de alfabetização, deixa de ser
característica negativa para assumir papel de importância no processo ensino
aprendizagem, onde a interação entre os/as alunos/as é fator imprescindível.
4. A
criança depois que se apropria da escrita alfabética, enfrenta inúmeros
problemas ortográficos e morfossintáticos, considerados normais para a fase em
que se encontra. Porém, cabe ao professor fazer intervenções significativas
para que ela se aproprie da escrita ortográfica.
REFERÊNCIAS
FERREIRO,
Emília; TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da Língua Escrita. Porto Alegre: Editora:
Artmed, 1999.
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Para refletir:
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Para refletir:
O pensamento construtivista de Emília Ferreiro sobre a alfabetização no
Brasil, apesar de não se saber, ao menos formalmente, de que os resultados de
sua pesquisa tenham sido refutados em seus fundamentos e resultados, vêm sendo
apresentadas muitas críticas, relacionadas, sobretudo, com a dúvida a respeito
do papel do ensino, da escola e do professor.
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seu comentário, compartilhe o que pensa sobre a Psicogênese da Língua Escrita.
Abraço,
Carla Melo.

ADOREI
ResponderExcluirObrigada por participar. Abraço! :)
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