14/07/2015

As fases e características no Processo de Aquisição da Escrita

Olá, pessoal!

Nesse post vou explicar sobre as fases e as características no processo de aquisição da escrita de acordo com os estudos de Emília Ferreiro e Ana Teberosky, através do livro “Psicogênese da Língua Escrita”.

O livro: “Psicogênese da Língua Escrita”, de Emília Ferreiro e Ana Teberosky não se trata de um método de ensino. O estudo das autoras é uma abordagem psicológica de como a criança se apropria da língua escrita. Também se costuma falar em níveis cognitivos, pois a palavra cognição diz respeito à aquisição de conhecimento. 
Na alfabetização o que se quer conhecer é a língua escrita e as aproximações são as tentativas de ler e escrever. É preciso ter em mente a necessidade da superação dessas tentativas para compreender a importância do significado da identificação dos níveis de construção da escrita e suas respectivas formas de intervenção, ou seja, do modo como o alfabetizador desafia o alfabetizando para que ele avance em suas hipóteses sobre a língua escrita. Para Ferreiro, (1999, p. 31):

A concepção de aprendizagem (entendida como um processo de obtenção do conhecimento) inerente à psicologia genética supõe, necessariamente, que existam processos de aprendizagem do sujeito que não dependem dos métodos (processos que, poderíamos dizer, passam “através” dos métodos). O método (enquanto ação específica do meio) pode ajudar ou frear, facilitar ou dificultar, porém, não pode criar aprendizagem. A obtenção do conhecimento é um resultado da própria atividade do sujeito.

Os níveis de construção da escrita correspondem à forma de expressão da hipótese que o alfabetizando tem sobre o funcionamento da escrita. De acordo com Emília Ferreiro, o aprendizado do sistema de escrita não se reduziria ao domínio de correspondências grafo-fonêmicas (decodificação e a codificação), mas se caracterizaria como um processo ativo no qual a criança, desde seus primeiros contatos com a escrita, constrói e reconstrói hipóteses sobre a sua natureza e o seu funcionamento. Os pressupostos dessa abordagem psicológica são:
  • O aprendizado do sistema de escrita alfabética não se reduz a um processo de associação entre grafemas (letras) e fonemas (sons).
  • O sistema de escrita alfabética não é um código que se aprende por memorização e fixação, pelo contrário, é um objeto de conhecimento que foi construído socialmente
Através dessa abordagem psicológica, veremos os níveis de construção de escrita:

Nível Pré-Silábico: este nível caracteriza-se por uma das etapas onde mais há transformações, no sentido de existir mais características. Logo no começo deste nível, a criança escreve somente por meio de garatujas, passando depois para uma escrita com desenhos e números, até chegar ao Realismo Nominal, caracterizado por uma etapa onde a criança representa o objeto, animal, pessoa entre outros, de acordo com o tamanho, por exemplo, se o objeto for grande, será representado por muitas letras, se for pequeno será representado por poucas letras, mas nessa etapa, a criança faz uso apenas das letras, a última característica deste nível, é a representação de toda e qualquer palavra com muitas e variadas letras. 

Nível Silábico: é nesse nível que a criança compreende que as diferenças das representações escritas se relacionam com diferenças sonoras das palavras. Também existe a tentativa de corresponder grafia e sílaba sonora, o que não exclui problemas derivados da exigência da quantidade mínima de letras. É o momento em que a criança faz a correspondência da escrita com a fala, à fase mais importante da alfabetização.
A criança descobre que as partes da escrita (suas letras) podem corresponder a outras tantas partes da palavra escrita (suas sílabas). A princípio, ela formula a hipótese de que cada letra ou sinal “vale” por uma sílaba. As grafias são diferenciadas sem que as letras tenham seu valor convencional. Existe duas características marcantes, a primeira é a etapa do silábico sem valor sonoro, as letras empregadas não pertencem à palavra escrita convencionalmente, o aluno, por exemplo, escreve as seguintes letras: “TED” para representar a palavra “cavalo”. A segunda característica é a etapa do silábico com valor sonoro, as letras empregadas pertencem à palavra escrita convencionalmente, classificam-se em: valor sonoro só com consoantes, por exemplo, o aluno escreve “BT”, para representar a palavra “bota”, ou então, o valor sonoro só com vogais, por exemplo, o aluno escreve “OA” para representar a palavra “bota”.

Nível Silábico-Alfabético: nesse estágio de desenvolvimento da escrita, coexistem as formas de fazer corresponder os sons às formas: silábica e alfabética, o que induz a uma escolha de letras de forma ortográfica ou fonética. Algumas características desse nível são: escrita algumas vezes com sílabas completas e outras incompletas, escreve faltando letras, alterna escrita: silábica com alfabética, escreve como fala e como ouve. Ex: CSA (casa) – TOMT (tomate) – BUNCA (boneca) 

Nível Alfabético: a criança começa a perceber que a palavra está relacionada com os aspectos sonoros da fala. Separa oralmente as sílabas das palavras e corresponde uma letra a cada som emitido, ou seja, cada parte corresponde a uma sílaba. Escreve além do alfabético, mas ainda não domina as normas ortográficas da língua. Ex: POFESSORA (professora) – KAMELU (camelo).

No processo de construção da aprendizagem da língua escrita, do ponto de vista da Teoria da Psicogênese, deve considerar que:

1. As hipóteses conceituais provisórias que as crianças fazem sobre a escrita não são “erradas”, “falta de conhecimento” ou até mesmo patológica. Devem ser consideradas como “erros construtivos”, já que é um processo de atividade constante em que a criança está elaborando hipóteses e alargando seu campo de conhecimento linguístico.
2. O reconhecimento das hipóteses de escrita não deve se transformar em um recurso para categorizar as crianças, mas sim estar a serviço de um planejamento de atividades que considere as suas representações e atenda suas necessidades de aprendizagem.
3. A questão dos diferentes níveis, nas salas de aula de alfabetização, deixa de ser característica negativa para assumir papel de importância no processo ensino aprendizagem, onde a interação entre os/as alunos/as é fator imprescindível.
4. A criança depois que se apropria da escrita alfabética, enfrenta inúmeros problemas ortográficos e morfossintáticos, considerados normais para a fase em que se encontra. Porém, cabe ao professor fazer intervenções significativas para que ela se aproprie da escrita ortográfica.


REFERÊNCIAS

FERREIRO, Emília; TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da Língua Escrita. Porto Alegre: Editora: Artmed, 1999.

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Para refletir: 

O pensamento construtivista de Emília Ferreiro sobre a alfabetização no Brasil, apesar de não se saber, ao menos formalmente, de que os resultados de sua pesquisa tenham sido refutados em seus fundamentos e resultados, vêm sendo apresentadas muitas críticas, relacionadas, sobretudo, com a dúvida a respeito do papel do ensino, da escola e do professor.


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Abraço, Carla Melo.



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